
Sabe por que os americanos construíram um país tão rico? Não. Não foi explorando outras nações. O segredo do sucesso deles encontra-se na mentalidade. Aprenderam cedo que riqueza não se partilha, cria-se. Por entender, de há muito, que dinheiro não dá em árvores, dedicam boa parte do tempo em tentar conquistá-lo. Time is money!
Em território ianque não há espaço para corpo mole. Quem não tem competência não se estabelece. Norte-americanos desconfiam do governo desde o tempo das treze colônias, portanto não se deixam levar pelo mito do almoço grátis. Ganha mais quem mais produz.
Não há decimo-terceiro, férias remuneradas, abono salarial, reajuste anual de salário e outras falsas mordomias. Também não existia sistema de saúde pública até havia pouco tempo, quando Barack Hussein Obama criou o OBAMACARE, um germe do SUS americano. Escola pública existe, contudo eles sabem que nada vem de mão beijada; tudo tem um preço.
Já na América Latina, onde há mais de cinco séculos alternam-se governos populistas e socialistas, não se consegue deixar o engodo do sistema público, gratuito e de qualidade. Só não entendo como não se percebe a parvoíce de tal raciocínio. De graça, nem injeção na testa!
O economista americano Milton Friedman resume bem como nos prejudica o modo paternalista de pensar. Há, segundo ele, quatro maneiras de se gastar dinheiro: quando gastamos nosso próprio dinheiro com nós mesmos, fazemos questão de preço baixo e alta qualidade; quando gastamos nosso dinheiro com outra pessoa, queremos preço baixo e não fazemos tanta questão de qualidade; quando gastamos o dinheiro de outra pessoa conosco, exigimos qualidade e não damos muita importância ao preço; por fim, quando gastamos dinheiro dos outros com os outros, aí não fazemos nem questão de qualidade, nem de preço. A última opção representa o governo.
Isto não entra na cabeça de latino-americano: sistema público é perdulário. Gasta muito e gera pouco retorno. Outra coisa que não se percebe em terras cucarachas: o custo do sistema sai do bolso da população.
No Brasil, quase 40% do PIB é imposto. Trabalham-se cinco meses do ano só para alimentar o leão. Devido à alta carga tributária, os impostos em “cascata” e o enorme custo dos “direitos” trabalhistas, o custo de vida encarece e a produção encolhe, resultando em baixos salários, subemprego e desemprego.
Só que, surpreendentemente, quanto mais gira a espiral socialista, mais se pede socorro ao Estado, como se ele pudesse resolver o problema que ele mesmo cria. A América Latina cansa!
Talvez por isso as taxas de migração líquida nas terras da salsa e do samba variem sempre do zero ao negativo (mais gente saindo que entrando). A do Brasil em 2020 (último censo mundial) foi de -0,13 migrantes/1000 habitantes; a de Cuba, -3,71; a da Venezuela, -3,44, a da Argentina, -0,09 (lembrando que o dado é de 2020, antes de a crise socialista estourar no país).
Já a taxa de migração líquida dos EUA nunca sai do positivo. Em 2020 atingiu 3,04 migrantes/1000 habitantes. Entra mais gente que sai na terra do Tio Sam.
Mas que tanto procura esse pessoal? De que foge? Com exceção dos refugiados de guerra, a maioria procura maiores salários, mais segurança e melhor qualidade de vida. Os Estados Unidos oferecem tudo isso. A América Latina, não.
Quando chicanos avistam a Estátua da Liberdade pela primeira vez e gritam “América!”, chegam dispostos a trabalhar para ganhar em dólares no mínimo três vezes mais do que recebiam em seus países de origem. E conseguem.
O juízo tortilla y frijoles, no entanto, não muda. Não demora a associarem-se a sindicatos, a gritar por mais direitos trabalhistas, por menos assédio moral no trabalho, por mais serviços públicos, “gratuitos” e de qualidade.
Quando aparece um democrata nos moldes de Joe Biden, Barack Obama, Bill Clinton ou Jimmy Carter, morrem de amores por eles, ignorando que a nação que buscaram tornou-se tão atrativa graças a gente como Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e Ronald Reagan. Em suma, correm do Lula daqui mas votam no Lula de lá.
Quando os americanos decidiram dar um basta nessa marmota e foram às urnas em peso, elegeram Donald Trump, para desespero dos imigrantes. Com exceção dos cubanos, por óbvios motivos, a maioria dos imigrantes latinos chorou, desfiando o mesmo rosário monótono que rezam os partidos de esquerda daqui.
Pedem mais proteção do estado, mais direitos, mais benefícios, mais, mais e mais e tudo free, acusando de xenófobos, racistas, elitistas, machistas a todos aqueles discordam.
Algo familiar? Trata-se do mesmo discurso de esquerda proferido aos quatro ventos na América Latina. A mesma ladainha que esse povo tanto combateu por aqui e, cansado de dar murro em ponta de faca, desistiu e caiu fora.
Pior: nas redes sociais essa gente não se cansa de exaltar os populistas de lá e de crucificar os daqui. “Fora Dilma”! “Fora Trump”! What kind of stupids are they? O que querem por lá, por aqui tem de sobra. Se estão infelizes, aconselho que refaçam as malas. Aqui tudo é “grátis”. Que tal voltar?

André Paschoal é médico e escritor.

Uma amiga uma vez me falou. Melhor meus demônios familiares do que os dos outros. Pensei: Melhor demônio nenhum… Estamos acostumados a um mesmo ciclo, as vezes saímos disso, mas… e o desconhecido? Alguns (muitos) de nós, para evitar a ansiedade, prefere voltar à escravidão no Egito.
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