MÁSCARAS, VACINAS E INTENÇÕES DE VOTO

Cheguei ao consultório já cansado de usar aquela máscara sufocante. Por isso, disse à secretária em tom jocoso:

__A partir da próxima semana, não usarei mais esta focinheira.
__Sério, doutor? Já liberaram?
__Não, mas eu me liberei. Brinquei.
__Ah, tá. O senhor tomou vacina, doutor?
__Claro! Três doses.
__Mas não queria, né?
__Claro que queria.
__Mas o senhor não é de direita?
__Sou. Mas existem dois tipos de direita: a chucra e a pensante. Faço parte da segunda.
__O senhor votou no Bolsonaro?
__Claro.
__Vai votar nele de novo?
__Se os candidatos ao pleito forem os que se apresentaram até agora, votarei nele sim.
__Mas ele é contra as vacinas.
__Não é verdade. Ele comprou vacinas e as distribuiu à população. Quanto ao fato de ele não ter tomado o imunizante, é questão de opção.

Depois do papo, pus-me a pensar no quanto a militância antivacina prejudicou a imagem da direita. Reconstrui-la, em tão pouco tempo, tentando evitar a iminente derrota em 2022, exigirá esforços hercúleos. Que Deus nos ajude!

André Paschoal é médico e escritor.

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