
Quando o manauara achava que nada seria pior que o racha entre os movimentos de direita para o dia 07 de setembro, com dois pontos de encontro marcados, aparece mais uma surpresa: um terceiro local.
Um grupo menor ocupará a Praça do Congresso, liderado pelos movimentos Endireita Amazonas e Conservador Amazonas, com presença confirmada do pré-candidato a senador Coronel Menezes. O maior grupo, organizado pelo movimento Direita Amazonas, concentrar-se-á na Ponta Negra, contando com a presença de diversos políticos, como o também pré-candidato ao senado Chico Preto, e celebridades locais. Já o terceiro grupo, formado eminentemente por evangélicos, marcará presença no Memorial dos Povos da Amazônia, por convocação do parlamentar Silas Câmara.
O deputado federal Delegado Pablo Oliva, que irá à Ponta Negra, não vê a divisão como prejuízo. “Acho que o fato de estar em distintos lugares faz com que o movimento mostre-se até maior, pois atinge diferentes públicos. Nem sempre será possível que todos estejam no mesmo local. Vimos isso também em 2018. Tivemos o 7 de Setembro no sambódromo, o Mulheres com Bolsonaro na praça São Sebastião, carreatas nas zonas norte e leste e trios elétricos na Ponta Negra. A união será por um único propósito: um Brasil melhor, mais democrático e com respeito ao estado de direito e às liberdades do nosso povo”, diz.
O empresário Sérgio Kruke, líder do Movimento Conservador Amazonas, também não vê o cisma com maus olhos, apesar de não esconder a antipatia pelos organizadores do ato da Ponta Negra. “Não vejo prejuízo, até porque está muito bem claro que o ato da Ponta Negra virou palanque eleitoral e o povo tem liberdade de ir para lá ouvir e aplaudir seus políticos. No centro, a manifestação será do povo e tão somente pelo povo brasileiro, que agora é perseguido até nas falas e escritas por membros do alto escalão do Judiciário”, afirmou.
Kruke, pelo que parece, não considera seu evento um palanque eleitoral para o Coronel Menezes e, a exemplo da velha narrativa lulopetista, não faz questão de esclarecer o que ele considera “povo”.
Procurado por Rua Direita, o deputado estadual Delegado Péricles declarou: “entendo que qualquer manifestação é importante. Claro que a união seria ideal, uma concentração em um único local em nome do nosso presidente, pela liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento. Vejo a Ponta Negra como o melhor lugar, por ter sido palco tradicional dessas manifestações e aonde se dirigem, normalmente, muitas famílias e pessoas de bem em torno de um propósito. Infelizmente, isso não está sendo possível, mas faremos a nossa parte. Temos tudo para realizar uma grande concentração e um grande evento”.
O ativista Felipe Silva, líder do movimento Endireita Amazonas, foi mais categórico: “não há divisão nenhuma. Não se pode dividir o que nunca esteve unido”, disse em clara referência ao movimento Direita Amazonas.
Nas entrelinhas, contudo, além de disputa de egos, esconde-se politicagem das mais rasteiras. O pleito de 2022 elegerá apenas um senador por estado. Só que o Amazonas terá pelo menos dois candidatos conservadores ao Senado: Coronel Menezes, amigo pessoal do presidente, e o ex-vereador Chico Preto.
Obviamente, na concepção deles, ambos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço político, mesmo que em prol de uma causa bem mais nobre: a liberdade do povo brasileiro.
Sem falar que, havendo dois candidatos de um mesmo espectro para apenas um cargo majoritário, a tendência é de derrota para ambos.
Parece que o sapeca-iaiá que a direita levou nas últimas eleições municipais não serviu de lição para os conservadores do Amazonas. Porém, os néscios não aprendem nem com os próprios erros.
Por fim, aproveitando-se do vácuo deixado pela cisão dos movimentos, Silas Câmara decidiu surfar na onda dos protestos e colocar seus militantes na rua. Esses, na maioria evangélicos, ocuparão o Memorial dos Povos da Amazônia. Completa-se o desastre.
O preço, paga a população, que sem saber aonde ir, divaga entre farpas de políticos ambiciosos, egos inflados de ativistas e um ranço de velha política que insiste em impregnar-se no estado, mostrando que, dia 7 de setembro, a melhor opção para o manauara é ir à Avenida Paulista.
André Paschoal é médico e escritor
