
Manaus, vergonhosamente, será a única capital do Brasil a realizar a manifestação de 7 de setembro em duas localidades: uma no centro, outra na Ponta Negra.
Organizadores do evento do centro, encabeçado por um ex-militar autodenominado “zero-um” do Bolsonaro, tentaram justificar o cisma por meio de uma negativa da prefeitura à realização do ato na Ponta Negra, devido à pandemia, e de um documento do IMPLURB proibindo a manifestação na área.
O subterfúgio, todavia, foi prontamente refutado pelo empresário Romero Reis, um dos responsáveis pelo ato da Ponta Negra. Romero garantiu que a manifestação possui sim autorização para realizar-se no local, tanto por parte do IMPLURB, quanto pela Prefeitura de Manaus.
Em verdade, o desencontro deveu-se a uma disputa de egos entre o “Messias” da Hileia, cujo único estandarte político é ser amigo do presidente, e o deputado federal Capitão Alberto Neto.
Percebendo que, em meio a tantas estrelas da direita amazonense, o “mitinho” baré não teria o protagonismo desejado para alçar-lhe ao cargo de senador, seus cabos eleitorais optaram por sair à francesa e brincar sozinhos na Praça do Congresso, como birrentos pré-púberes.
Para piorar, agindo como os camisas-marrons de Hitler, chegaram a apelar para o envio de mensagens em tom de ameaça a organizadores do evento da Ponta Negra, depois de perceberem maior adesão popular à concorrência.
Mantendo o baixo nível de militância, beirando o padrão Rêmulos Club, um dos líderes do grupo do centro chegou a afirmar que anda na mira de Alexandre de Moraes, visando justificar possível ausência no encontro organizado por ele mesmo. A evasiva estampa-se-lhe nas redes sociais como atestado de megalomania, já que um ativista com capilaridade inferior à de bebuns do Bar do Armando jamais se tornaria alvo de um ministro do STF. Psicose ou receio de encarar o povo?
Quando recebi a estpantosa notícia da luta em duas frentes, que nos campos de batalha sempre acaba em derrota, pensei tratar-se de “fake news”, porque tamanha estupidez estratégica jamais poderia partir de um ex-militar de alta patente. No entanto, para ingrata surpresa, descobri que a parvoíce procedia. Nada imprevisível, vindo de quem outrora pilotou helicópteros que hoje ousam voar em tempestades de vento. Prudência conservadora!
A imagem passada para a maior parte da população manauara, que assiste à novela com olhos incrédulos, é a de que os organizadores do ato do centro, de fato, não se preocupam com os anseios do povo brasileiro, mas apenas com canais para direcioná-los a cargos de confiança na política local.
Usando a máxima “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”, e com a desfaçatez de sempre, asseclas da cópia mal acabada do “mito” tentam colar a alcunha de “trampolim eleitoral” no movimento rival, pecha que sempre lhes caiu como uma luva e ainda lhes cai, pois a trupe agora vem flertando com o governador Wilson Lima em busca de apoio para as eleições de 2022.
Além do mais, o deputado estadual Fausto Júnior (PRTB/AM), cuja imagem tem aparecido em fotos recentes ao lado de Eduardo Braga, já confirmou presença na Praça do Congresso. Definitivamente, o evento não parece condizer com um grupo orgulhoso de não caminhar com nenhum político.
Desta vez, contudo, o tiro saiu pela culatra, irritando os chamados não-militantes: o médico, o comerciante, a dona de casa, o engenheiro, o advogado, o pequeno empresário, o contador, a enfermeira, o bancário e todos aqueles que pretendem deixar de curtir o feriado para lutar por um país melhor. Esses já perceberam as reais intenções de cada movimento e, por isso, certamente irão à Ponta Negra. Os “black blocs” de direita ocuparão as ruas do centro.
André Paschoal é médico e escritor.

Em teu seio o liberdade.
Desafio o próprio peito a própria morte.
O pátria amada.
O Gigante acordou agora vão sentir poder de uma canetada do povo brasileiro esses vermes.
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