Manaus

As manifestações de 7 de setembro na capital amazonense, pelo que parece, serão marcadas por um racha na direita local. Haverá dois pontos de reunião: um, divulgado pelo Movimento Conservador Amazonas, dar-se-á na Praça do Congresso, no centro da cidade, às 15 horas; o outro, promovido pela Aliança Norte Brasil e pelo o Movimento Direita Amazonas, ocorrerá em frente ao anfiteatro da Ponta Negra, no mesmo horário.
O desencontro, no entanto, pode dever-se a uma negativa do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (IMPLURB) à realização da passeata na área da Ponta Negra, o que obrigou o Movimento Conservador Amazonas a alterar o local de realização do evento.
Há relatos, todavia, de que políticos da direita amazonense, juntamente com o empresário Romero Reis, entraram em contato com Carlos Valente, diretor do órgão, logo em seguida à negativa, tendo conseguido a aprovação no dia seguinte.
Mesmo assim, o Movimento Conservador Amazonas, encabeçado pelo empresário Sérgio Kruke, não voltou atrás da decisão de manifestar-se no centro da cidade, tendo inclusive soltado algumas farpas contra os organizadores do evento da Ponta Negra, acusando-os de atuar como trampolim político para potenciais candidatos às eleições de 2022, como Chico Preto, Delegado Péricles, Capitão Carpê e outros.
O Coronel Alfredo Menezes, ex-superintendente da SUFRAMA e possível candidato ao Senado Federal em 2022, sob forma de justificativa, postou em suas redes sociais outro documento, este da Prefeitura de Manaus, negando o pedido de manifestação na Ponta Negra devido à medida provisória por conta da pandemia (lei 14.186/21). Só não se entende o porquê do impedimento aos atos na Ponta Negra e da liberação dos mesmos na Praça do Congresso. Seria o centro de Manaus uma área asséptica?
O vice-presidente do Movimento Aliança Norte Brasil, Júlio Nunes, diz que não há divisão nenhuma na direita manauara e vê com bons olhos a realização de manifestações tanto no centro da cidade quanto na Ponta Negra. Segundo ele, quanto mais espaços a direita ocupar, menos terreno deixará para a esquerda. Quanto à acusação de uso do evento como trampolim político para determinados candidatos, Júlio Nunes diz que essa não é a intenção do movimento e que, por ser um ato democrático, não pode impedir ninguém de exercer seu direito de manifestar-se no dia 7, nem mesmo os políticos citados. Quem quiser ir, será bem-vindo.
O ex-vereador Chico Preto (sem partido) tampouco acredita em divisão dos conservadores. Pelo contrário, acredita que a direita tem aperfeiçoado seu caminho, sem apostar em aventuras ou no duvidoso. Segundo ele, o Brasil e o Amazonas têm pressa em crescer. Por isso, a direita tem unido-se em torno da experiência, dos bons currículos e de bons caminhos. “É natural que, nessa construção, outros caminhos apresentem-se, mas o que está acontecendo é uma união consciente de homens e mulheres que dividem o mesmo propósito: que o sol da liberdade siga brilhando para o Brasil”, conclui.
O presidente do movimento Direita Amazonas, Silvio Rodriguez, que se encontra no interior do estado, diz que pode ter ocorrido falha de comunicação. Entretanto, “todos têm livre arbítrio de escolher onde achar melhor manifestar-se, seja na Ponta Negra, seja no centro. Ambos possuem o mesmo objetivo: apoiar o ato solicitado pelo presidente Jair Bolsonaro”, afirma. Segundo ele, o movimento Direita Amazonas comparecerá à Ponta Negra no dia 7 de setembro, conforme anunciado nas redes sociais desde o dia 4 de agosto.
A julgar pelos comentários e publicações nas redes sociais, maioria das pessoas tenderá a optar pela Ponta Negra mesmo, já que o local tem sido palco de todas as manifestações de direita em Manaus desde os tempos do “Fora Dilma”.
De qualquer forma, apesar do racha, o movimento em Manaus tem conseguido boa adesão popular. Talvez até tenhamos os dois locais cheios, afinal, a população não irá às ruas pelos políticos A ou B, mas pela liberdade que lhe vem sendo extirpada a cada dia, a olhos vistos, por semi-deuses que se julgam donos das instituições.
André Paschoal é médico e escritor.
