
Pedem-me para eu falar sobre a alta no preço da carne quando estou mais a fim de discutir futebol. A gente torna-se mais fútil com o avançar da idade.
Àqueles que insistem em saber meu posicionamento, ei-lo: economia consiste em um jogo de oferta e demanda. Se a procura pelo produto aumenta, o preço sobre. Como a China passou a comprar carne brasileira em grandes quantidades e a oferta não aumentou, obviamente o preço subiu.
Que atitude o governo deve tomar em face dessa situação desconfortável para o consumidor brasileiro? Nenhuma. Isso mesmo. Nenhuma!
Quando Bolsonaro disse que não iria tabelar o preço da carne, talvez orientado por Paulo Guedes, eu aplaudi de pé.
Finalmente um governo não interventor!
Toda vez que se estabelece um preço máximo a um produto, o mercado perde o seu referencial, que é o preço. Em suma: quando o preço aumenta, funciona como estímulo para produtor aumentar a oferta. Em se perdendo o referencial do preço, ninguém arrisca produzir mais, porque o prejuízo pode ser grande em caso de pouca demanda.
Conclusão: quando se tabelam preços, faltam produtos no mercado. Acontece em toda economia socialista: em Cuba, na Venezuela, na Coreia do Norte. Foi assim também no Brasil durante o governo Sarney: preços tabelados, prateleiras vazias. Quem viveu nos anos oitenta viu.
Políticas não intervencionistas são sempre melhores. Basta esperar. Mantendo-se alto o preço da carne, os produtores tenderão a aumentar a oferta, o que, além de gerar mais empregos, estabilizará o preço sem que as prateleiras esvaziem-se. Paulo Guedes e Bolsonaro sabem o que queremos: economia forte e geração de empregos. Não queremos passar dez horas na fila da carne.
Texto de 01 de dezembro de 2019.
André Paschoal é médico e escritor
